Aos pés de Montmartre, o arquiteto de interiores Tristan Auer imaginou para si e para a sua família um ousado duplex, onde coabitam referências vintage, as suas próprias criações e esculturas neoclássicas francesas.

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Em 150m2 de área, na zona de Pigalle, Tristan Auer transformou o interior de um apartamento alojado num edifício da década de 1930, outrora um parque de estacionamento, com fachada Art Déco, numa casa cheia de charme e que tão bem reflete toda a sua mestria e qualidades de criativo, um pouco em jeito de palco de ensaio, de laboratório de ideias.

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Uma das maiores qualidades, ao nível da construção, é o estilo industrial da casa, logo seguido pelas janelas, que não só fornecem a casa de boa dose de luz natural como permitem avistar a cúpula do Sagrado Coração.

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O espaço foi sendo gizado aos poucos, esboço a esboço, sem grandes planos ou predefinições. O layout da casa não obedece a nenhuma espécie de rigidez, pelo contrário, flui, livremente, refletindo o seu próprio estilo de vida tranquilo. Por seu turno, os detalhes arquitetónicos e os elementos gráficos são marcantes, salientando-se a sobreposição de blocos de alumínio fundido, o travertino escovado do balcão da cozinha, as combinações de madeira de cedro com mármore polido na casa de banho, entre outros detalhes.

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Estruturalmente, o apartamento divide-se em várias áreas, cada uma cumprindo a sua função. No piso superior aloja-se toda a área social, onde está a grande sala de estar, com zona de refeições ligada à cozinha, em plano aberto. Nota de destaque para a pérgola que esconde alguns elementos menos interessantes. O piso inferior foi reservado à vida familiar, organizado em três quartos, duas casas de banho e uma sala pensada para ver televisão, ler ou ouvir música.

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Toda a gama de cores escolhida é deliberadamente restrita, ficando-se pelo preto, cinzento, branco e creme, e foi pensada pelo decorador para unificar uma seleção de objetos que são, a priori, heterogéneos. Ao longo das paredes da sala de estar, um enorme painel de seda floral com acessórios aleatórios permite que ali se pendure uma coleção assaz curiosa. Há referências de projetos que ele fez no passado, como a casa de um colecionador de arte tribal em Nova Iorque, e as obras de Carlo Mollino ou Gianni Bertini. Cada peça que ali está é uma referência a trabalhos desenvolvidos para muitos clientes e a sua presença funciona como ‘lembretes’ de momentos-chave da sua vida profissional. Caso, também, do sofá de veludo cinza na sala de estar, projetado para o Hotel Les Bains, em Paris, e do cartaz feito para a exposição da ‘AD Interiors 2016. Tanto na sala de estar como no quarto sobressaem as esculturas de grande porte de Gerard Choain (1906-1988), adquiridas a um antiquário que as tinha esquecidas nos fundos do seu estúdio. O efeito é muito cénico.

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O seu estilo é ousado, às vezes provocador, outras dotado de algum humor. Tudo isto está bem patente na mistura de peças, na simbologia das mesmas. A narrativa desta casa tem uma harmonia por vezes ‘desastrosa’, como o evidencia bem a fotografia, junto ao closet, de um teste nuclear.

Sobre Tristan Auer

Tristan Auer é um renomado designer de interiores formado pela ESAG de Paris. Colaborou com Christian Liaigre, depois com Philippe Starck, por quatro anos, durante os quais trabalhou em numerosos projetos um pouco por todo o mundo, da loja da Taschen, na rue de Buci, Paris, ao hotel-clube da família Trigano. Foi com Christian Liaigre que Tristan produziu o seu primeiro projeto internacional de grande escala: o Hotel Mercer, no Soho, em Nova Iorque.

Em 2002, Tristan Auer fundou o seu próprio estúdio, especializado em residências privadas exclusivas, hotéis de luxo, showrooms para empresas e uma série de mobiliário e luminária feitas à medida.
Karl Lagerfeld contratou-o para alguns projetos residenciais, entre eles a criação do Casa Chanel e a renovação do histórico apartamento de Coco Chanel na rue de Cambon. São dele ainda os interiores da flagship de Nina Ricci, em Paris, e a casa de praia de Bryan Adams nas Caraíbas. Hoje a sua clientela compõe-se de homens de negócios, colecionadores de arte e celebridades, que a ele recorrem para projetar as suas casas, atraídos pelo inequívoco savoir-faire francês.