Uma casa de cimento construída na década de 1990 precisava de uma atualização. Os clientes, um casal de jovens avós que viajam muito, queriam mais espaço, mais luz e sobretudo uma atmosfera contemporânea, moderna, tal como eles.

Fotografia: Adrien Williams

 

A cozinha era fechada e criava uma parede entre os espaços de estar; a decoração, em cores primárias saturadas, contribuía para uma atmosfera bastante fria. Os proprietários decidiram renovar a propriedade em 2017 e dar-lhe um visual mais contemporâneo e abrangente.
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Este foi o desafio assumido pela equipa do atelier Desjardins Bherer. Todas as paredes que dividiam a cozinha da sala foram removidas de modo a criar uma área de estar completamente aberta que hoje deixa entrar a maior quantidade de luz possível. Os armários, baixos, ajudam também eles libertar o espaço. A circulação foi redefinida e a estrutura simplificada.

Uma tela em branco… ou quase

Como a casa foi construída em cimento, não tem paredes de contenção, logo a cozinha pôde ser completamente aberta e comunicar com as zonas de living. A única restrição era o piso de cimento polido, que escondia o sistema de aquecimento radiante, que não podia ser modificado. Quaisquer alterações nos tubos estavam fora de questão.
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A cozinha é, portanto, o núcleo da casa. Armários brancos com um balcão da mesma cor, colocados em frente a uma grande janela que foi ampliada, acomodam todos os acessórios. Duas unidades de armário de carvalho cinza dão a nota de contraste neste espaço, demarcando discretamente  o espaço.

Ampla arrumação

O designer Marc Bherer e a sua equipa usaram a uniformidade para criar uma decoração harmoniosa. Os tapetes semelhantes, nas duas salas de estar, criam uma unidade visual muito atraente, assim como os sofás de linho e os candeeiros de leitura nos dois espaços. A lareira, aberta para as duas salas e revestida de cimento ajuda à coesão das zonas de living.
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Na sala de estar, um grande módulo de arrumação foi integrado sob a lareira, estendendo-se até ao assento da copa. Este elemento prático combina com a sala sem provocar desordem. As mesas de café e mesas de apoio foram selecionadas com base na sua simplicidade, e esta nota de elegância discreta adiciona uma presença graciosa, em harmonia com as pequenas poltronas. Obras de arte e peças que os proprietários foram colecionando têm uma presença discreta nesta casa, sob as janelas da sala de estar e sala de jantar.

Interação de texturas e luz

A decoração está repleta de texturas naturais e cores neutras. Tecidos de linho, bambu, couro e tecidos tipo “Chanel” coabitam com o cimento e o aço. A seleção estudada de materiais, móveis e cores conferem ao espaço um sabor único, aquecido pela luz que entra pelas muitas aberturas no piso térreo.

A entrada para esta casa habilmente atualizada, designada de “galeria”, exibe fotografias de um dos amigos do casal. A maior destas fotografias, feitas sob encomenda, para o espaço, enfeita a parede que separa a cozinha da entrada. A iluminação suave desta área define o tom e cada quadro é iluminado separadamente.
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A peça central do design é o candeeiro de suspensão na sala de jantar, um trabalho em vidro soprado por Gabriel Scott. Uma verdadeira obra de arte, esta peça é refletida na mesa de vidro fumado para um efeito dramático.
Aliviado das suas partições, o espaço agora expressa todo o seu potencial: um plano aberto, testemunho das grandes teorias da arquitetura moderna. As texturas, os materiais e a pertinência do design são destacados nesta casa onde os espaços de vida finamente entrelaçados aumentam a alegria de viver dos seus ocupantes.

 

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