16Texto: Marta Lucena

Fotografia: João Morgado – Fotografia de Arquitectura

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O projecto parte da leitura do existente e da sua reformulação, dando resposta a um programa tradicional na estrutura, mas ambicioso por parte do cliente que pretendia uma imagem contemporânea e cosmopolita. Assim, demolimos todas as paredes do piso 1 (excepto o corpo da sala da entrada, cozinha e hall) e as paredes do piso 0 (excepto a estrutura longitudinal). Também foram demolidos os tectos e evidenciámos a estrutura de madeira que existia. Desta forma, reduzimos a existência da casa praticamente às paredes exteriores.

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A largura invulgar da casa para construções desta época (final do séc.XIX) aliada ao esventramento dos tectos, permitiu conferir uma nova especialidade. A subdivisão do espaço é conseguida através da introdução de armários que organizam os percursos , garantindo no entanto, a leitura geral do conjunto. No piso 0 utilizámos a parede estrutural que existia para individualizar a suite principal das outras duas suites. Construtivamente usámos técnicas tradicionais, mantendo pavimentos e estruturas em madeira. As caixilharias são da Maciça. O único elemento contemporâneo é a varanda que re-interpreta a existente em madeira. Mas desta vez, recorremos a uma estrutura metálica e revestimento em zinco, assinalando a contemporaneidade da intervenção, do arquitecto Sebastião Moreira.
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O projecto (conta o arquitecto) passou sem dúvida pelo entusiasmo do cliente “cuja ambição funcionou como um estímulo extra”. Estamos no Porto, numa casa que data de 1892, em plena Foz. Foi descoberta pelo actual proprietário praticamente em ruínas. Mas há quem tenha visão e coragem para enfrentar uns bons meses de obras até ao tão esperado final feliz. O projecto de recuperação do Arquitecto Sebastião Moreira (amigo do dono da casa) foi o resultado de um pré projecto que se foi desenrolando à mesa de vários jantares no Al Forno Caffé “onde as toalhas de papel da nossa mesa e da mesa do lado, acabaram sempre preenchidas de cortes em perspectiva, banheiras, candeeiros, estantes, etc. Houve continuamente uma grande troca de ideias e algumas adaptações mais “emocionais” da minha parte”. Profissionalmente ligado ao vestuário, até há bem pouco tempo a casa foi também o escritório/show room deste empresário que aqui passava bastantes dias com os seus clientes estrangeiros a preparar colecções. É uma casa com muito espaço e com as várias divisões bastante desimpedidas. É funcional e os pormenores de arquitectura não passam despercebidos. Por outro lado, a decoradora Marta Espregueira Mendes que escolheu todos os papéis de parede, conseguiu dar aos diferentes espaços um toque mais quente, em conjunto com os muitos quadros de diferentes formatos que o dono da casa foi comprando e que ao mesmo tempo suavizam a estrutura robusta da casa. A cor escura da fachada da casa foi uma segunda tentativa que lhe confere mais uma característica urbana… jm_casafranciscomiranda_024 jm_casafranciscomiranda_012 jm_casafranciscomiranda_009 jm_casafranciscomiranda_003

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