O melhor da arte popular na zona trendy de Lisboa.

Fotografia: Paulo Lima / Texto: MG

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Quando terra natal e adotiva se juntam, o resultado é um inesgotável enriquecimento. A todos os níveis, mas, sobretudo, cultural e artístico. A proprietária deste apartamento situado no Chiado tem nacionalidade brasileira, mas o seu coração bate forte por outro canto do mundo: Lisboa.
Foi na agitação desta cidade que criou um refúgio à sua imagem, que combina com mestria a arte de dois países que são próximos, embora distantes geograficamente. Esta foi, aliás, uma das premissas tidas como ponto de partida para Euclides Barros – da Pátria – Arte, Arquitetura e Design – decorar o espaço. Isto é, o concílio artístico entre Portugal e Brasil.

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O T3, distribuído por 150 m2, goza de uma atmosfera muito própria, onde a alegria contagiante do Brasil é uma constante, das cores às imagens, que combinam com o traço da cerâmica de Raphael Bordallo Pinheiro, notável figura do panorama nacional. Mas já lá vamos. Afinal, são as gravuras de Henri Matisse, nas paredes do hall de entrada, as primeiras a dar-nos as boas-vindas.

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Detemo-nos na antessala, onde o aparador McIntosch em madeira pau-santo, que está debaixo da fotografia de Araquém Alcântara, se refugiou numa parede, recusando interferir no encontro de pássaros. Um é o protagonista do desenho de Miguel Pinheiro de Melo, pintado em tons quentes sob fundo preto, o outro, um pequeno pássaro no banco de artesanato nordestino brasileiro. O tapete kilim iraniano veio apenas valorizar (ainda mais) a multiculturalidade deste apartamento

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Ao pisarmos a sala, Euclides Barros, responsável pelo projeto de interiores, reforça a preocupação que teve em equilibrar a arte portuguesa com a brasileira. O design nacional é marcante, das cadeiras Leaf da Aroundthe Tree, junto à mesa de jantar, cálice, ao candeeiro de pé da Lumina, ou ao corvo do Laboratório d’Estórias e sardinhas Bordallo Pinheiro, na parede. Todos à venda na loja Pátria – Arte, Arquitetura e Design. Assim como o sofá dinamarquês, da Innovation, e as mesas laterais hexágono Wewood. O móvel do televisor foi intencionalmente desenhado pelo designer e “faz frente” às onças de Araquém Alcântara, o conceituado fotógrafo brasileiro. Mas as marcas desta terra estão igualmente presentes nos têxteis dos pufes, e almofadas, da autoria de Naia Ceschin.

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A ligação com a cozinha é funcional e fluida. A anterior parede que fechava a divisão deu agora lugar a um balcão em pinho rústico e uma gaiola pombalina. A acompanhar estão três bancos altos, Graça, da Porventura, em madeira de nogueira e assento palhinha. Ligeiramente ao lado, outra peça de design: o móvel bar Mister, igualmente da Wewood.

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Atravessando o corredor, que deixa brilhar mais o soalho em pinho português recuperado, alcançamos os quartos. Têm todos a mesma linha, embora em tons diferentes. No quarto principal, a cabeceira de cama é de madeira pintada em tons de azul petróleo e as mesinhas são da Bota.

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Os toques de portugalidade são evidentes pelas andorinhas Bordallo Pinheiro a esgueirarem-se pela parede. Destaque para o cabide italiano Oliver B., e para os outros, mais pequenos, redondos, aplicados na parede, da Hollywood. Ambos adquiridos na Pátria. O segundo quarto é idêntico, embora a cabeceira de cama seja, desta vez, preta, e os candeeiros Lumina. Pufe e almofada da designer Naia Ceschin.

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Já na divisão destinada aos hóspedes foi o decorador que desenhou as mesinhas de cabeceira e há a destacar o nicho preenchido com a inconfundível arte popular brasileira. Não poucas vezes, os acessórios e detalhes marcam a diferença e são merecedores de nota: cadeira de José Espinho e, uma vez mais, almofada de Naia Ceschin.

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