Portugal é a sua segunda casa. Sediados em Toronto, David e Arren, os fundadores da Casa Cubista, são apaixonados pelo nosso país e levam o melhor do artesanato português a todos os cantos do mundo. Só poderíamos agradecer.

Imagens cedidas/ Texto IF

Começaram por acaso! Os amigos portugueses, autores de projetos de interiores, Ana e João (Space Invaders, Faro) apresentaram-lhes um irmão e uma irmã que tinham assumido o estúdio de azulejos artesanais da mãe. Viram seus desenhos tradicionais e pediram-lhes para transformá-los numa paleta monocromática, “que adoramos!”, e a partir daí David e Arren iniciaram todo um processo criativo a par com artesãos portugueses, com quem estabeleceram novas colaborações.

E a Casa Cubista é isso mesmo, é uma colaboração. “Projetamos um padrão, ou temos uma ideia para algo, mas temos de estar suficientemente seguros até entregá-lo em boas mãos e deixar que os artesãos interpretem os desenhos. Essa colaboração torna as peças ainda mais especiais, porque as impressões digitais dos artesãos e a história de sua arte estão dentro de tudo o que fazemos”, referem.

A Casa Cubista, de David Pimentel, filho de pais açorianos, nascido em Toronto, e Arren Williams, com raízes no Reino Unido e no Canadá, é a expressão rica e criativa da sua ligação a Portugal, desde os anos 70.

Quantos artesãos trabalham para a Casa Cubista atualmente? E quem são eles?

Hoje trabalhamos com dois, os principais artesãos. Rui, o nosso oleiro, que está no Alentejo e vem de uma longa linha de ceramistas – pensamos que a terracota corre no seu sangue. E os nossos tecelões, Rui e Fernanda, sediados a sul do Porto. Somos apaixonados pelo seu trabalho, a fiação reciclada da indústria da moda e tecelagem em tapetes e tapeçarias! Nesta temporada estamos a trabalhar com novas pessoas, e temos mais uma em vista para 2019. Júlia e Sérgio são os tecelões das cestas da nova Cadeira Cane. Maria tece as toalhas num tear tradicional de linho e madeira que ela usa localmente.

Planeiam o expandir o espectro de produtos com diferentes soluções para a casa, da mesa ao quarto?

Para nós trata-se de um crescimento orgânico, lento, que começou com peças para a cozinha e mesa e os tapetes. À medida que crescemos, estamos constantemente em contacto com os artesãos com quem trabalhamos para garantir que estes estejam felizes, porque, sem isso, qual é o objetivo? À medida que as novas oportunidades surgem, quando conhecemos mais pessoas, cresce também o interesse em ver se mais e novas peças cabem na ‘casa’ da Casa Cubista.

Quantas vezes durante o ano visitam Portugal?

Estamos muito em Portugal! Recentemente, Arren esteve aí duas vezes no mesmo mês, mas na maior parte do tempo, vamos cerca de seis vezes por ano, para podermos reunir com os artesãos e trabalhar em novos projetos. Lançamos um catálogo duas vezes por ano, o que é muito trabalho!

Têm uma loja física, onde?

Ainda não, mas quem sabe o que o futuro nos reserva?

Graças ao vosso projeto, os produtos portugueses feitos à mão estão em todo o mundo, dão que falar. Qual é o feedback?

Tem sido muito positivo, e estamos constantemente a surpreender-nos porque o interesse chega-nos de todo o mundo, da Califórnia à Rússia e da Suécia à Austrália! O nosso conceito de uma abordagem contemporânea ao artesanato tradicional português impressiona. E estamos orgulhosos por poder apoiar os nossos artesãos e manter as suas empreitadas vivas.

O que vos faz querer continuar e expandir o nome Casa Cubista?

Temos a sorte de amar o que fazemos, e pelo caminho fizemos grandes amigos. É definitivamente uma paixão!

Qual é o vosso lema?

É muito simples, trabalhar com pessoas fantásticas.

 

 

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